A noite de 16 de dezembro deste ano (2011) tinha tudo para ser especial. Minha exposição A fotografia de Luiz Carlos Felizardo, que participava do Fotograma 11, em Montevideo, seria inaugurada no Museo Juan Manuel Blanes, na mesma data em que acontecia o Museos en la Noche, evento anual, de âmbito nacional, em que todos os museus uruguaios abrem gratuitamente para o público (e que movimentou, em Montevideo, 3.400 pessoas).
Estava tudo preparado: partiríamos de Porto Alegre, de carro, minha mulher e eu, na manhã do dia 14, chegaríamos no dia 15, a tempo de acompanhar parte da montagem, decidida, ao longo de cinco meses, pelo Arq. Gabriel Peluffo, diretor do museu uruguaio, e por mim. Um grupo de amigos viajaria também, assim como minha filha, todos com passagens e/ou reservas de hotéis já feitas. O alentado (772 páginas) catálogo do Fotograma 11, registrando as 200 exposições a serem inauguradas em 30 cidades uruguaias, impresso há mais de três meses, informava a data da inauguração, o que, junto com o longo prazo dado à produção do transporte da exposição, nos dava a garantia necessária para essas preparações.
Lamentavelmente, nada disso pode confirmar-se. Os responsáveis pela viagem da exposição para o Uruguai – na verdade, seus proprietários, pois ela foi doada pelo FestfotoPoa, que a produziu, ao Governo do Estado / SEDAC / IEAVI / MAC-RS – encenaram uma enorme e lamentável trapalhada, notável demonstração de incompetência que fez com que a mostra ficasse presa na fronteira por falta de documentação correta, inviabilizando a data programada para sua inauguração, impedindo que ela se beneficiasse da igualmente programada coincidência com Museos en la Noche, prejudicando o grande grupo de pessoas que já tinham programada sua viagem, que perdeu as passagens já compradas e pagou pelas reservas feitas em hotéis, e machucando a imagem do Governo do Estado do Rio Grande do Sul junto à Intendencia de Montevideo.
Agravante do triste acontecido foi o fato de que eu, o autor da exposição, não recebi nenhuma informação sobre o que se passava; fiquei sabendo do impasse criado e de que não deveria viajar por comunicação de Daniel Sosa, diretor do CMDF, organismo da Intendencia responsável pelo Fotograma 11, e do diretor do Museo Municipal Juan Manuel Blanes. A tentativa, felizmente frustrada, da diretora do IEAVI de atribuir a responsabilidade pela troca de data da inauguração – a exposição teve de ser postergada para a noite de 22 de dezembro, quando abriu perante não mais do que quinze pessoas – primeiramente à empresa transportadora e depois a esses cuidadosos e competentíssimos amigos, demonstra o nível da incúria a que minha exposição esteve sujeita – incúria da qual foi salva, apenas, graças à seriedade com que Gabriel Peluffo enfrentou a intenção estapafúrdia de montá-la às pressas, negando-se a fazê-lo. As obras só chegariam ao museu na manhã do próprio dia 16, o que só serve para comprovar o acerto da sua decisão.
Tudo somado, restou uma nova e desagradável sensação de insegurança provocada pelo tipo de gestão a que estão sujeitos os órgãos da SEDAC envolvidos no lamentável episódio. Não creio que a incompetência revelada por suas administrações possa alimentar qualquer esperança que tivéssemos quanto a um apoio efetivo às artes visuais no Rio Grande do Sul.
Luiz Carlos Felizardo